Review - Final Fantasy Crystal Chronicles : Ring of Fates - DS


Eu já comentei do Crystal Bearers, cronologicamente o último da série Crystal Chronicles e que é diferente de todos os outros. Todos os jogos se passam no mesmo mundo e apresentam vários elementos em comum, mas em períodos de tempo diferentes. O primeiro na linha de tempo e o segundo a ser lançado é o Ring of Fates, exclusivo para Nintendo DS.

A história

A história gira em torno de um jovem clavat chamado Yuri e sua irmã gêmea, Chelinka. Eles vivam tranquilamente na floresta com seu pai e alguns amigos da família quando um dia um estranho veio e ordenou que entregassem a garota. O pai das crianças fez o possível, porém acabou falecendo e um golpe de sorte fez o invasor ir embora, mas com isto Chelinka ficou em um estado catatônico. Yuri treinou por anos e anos, para ficar mais forte e poder proteger sua irmã, sozinho. Um dia, Chelinka acordou e Yuri decidiu que era a hora de salvar seus amigos que desapareceram desde aquele dia, e assim a aventura começa.



Como era de se esperar da série Crystal Chronicles, este jogo gira em torno do poder do Great Crystal que dá a vida e sustenta todos os seres, protegendo-os de monstros e criaturas malignas. Neste caso o jogo puxa um outro elemento de um Final Fantasy clássico que fica meio óbvio depois de algumas horas de jogo, mas faz isto de uma maneira bem interessante e funciona muito bem.
São quatro personagens jogáveis, um de cada raça, e Chelinka que apenas acompanha o grupo como não-jogável. Mas tirando os gêmeos, os outros personagens não tem muito desenvolvimento, exceto pelo rei de Rebena Te Ra e uma fantasma misteriosa. Também há um seguimento focando uma grande tragédia no passado, que revela coisas muito importantes (como era de se esperar). A parte de história em si é curta, mas bem-desenvolvida. Yuri é um protagonista forte e decidido, corajoso sem ser forçado. Quando criança, a inocência dele é engraçada e convincente; quando mais velho a determinação e a devoção dele para com sua irmã e os amigos é bem forte.



O modo multiplayer conta com uma história paralela própria graças ao acontecimentos do final do modo de um jogador. Por sinal, ao terminar a história e começar uma partida multiplayer há cenas extras mostrando o que aconteceu com Yuri e Chelinka, amarrando de vez a história. O modo multiplayer é baseado na história do jogo normal, mas com modificações bem visíveis e que dão um gostinho a mais.
Não há side-quests ou histórias paralelas importantes, mas quem conhece os outros jogos da série vai reconhecer certas coisas. Por exemplo, Rebena Te Ra é o mesmo lugar que aparece no jogo do Gamecube, assim como Kilanda Isle (chamada aqui de "Sinner's Isle") e ao zerar os dois modos a área River Belle Path é destravada.

O Jogo

É um RPG de ação, como o seu antecessor, mas com várias mudanças significativas. No começo o jogador só tem o Yuri, mas com o passar do jogo vai adquirindo um personagem de cada raça e pode troca-los na hora que quiser selecionando o ícone dele na tela de baixo. Cada raça tem uma característica diferente e habilidades próprias, e foram modificados desde o jogo anterior.
- Clavats : seriam os "humanos", na versão do gamecube eram a classe equilibrada, mas agora foram transformados na classe de ataque físico mas com pouca aptidão mágica. Eles usam macetes e espadas
- Yukes : criaturas estranhas que usam uma espécie de armadura, são os magos do jogo. Feitos de papel, mas a magia deles não tem igual e são especializados em staffs que soltam uma espécie de bolas de energia de médio alcance
- Selkies : é uma raça similar aos clavats, só que eles são muito mais ágeis. Eles tem ótimos status de ataque e SP (MP), HP e magia decentes mas são fracos na defesa. Neste jogo, foram transformados em arqueiros e tem a habilidade única de dar pulo duplo
- Lilties : antes eles eram os mini-tanques, agora viraram alquimistas. Eles podem criar magicites nos potes e usa-los para ataques especiais. Como armas, eles usam martelos, maças e colheres.



Para realizar magias é preciso achar magicites, que se consegue derrotando os inimigos ou quando um lilty faz usando o caldeirão deles. Mas ao contrário do Crystal Chronicles, o magicite é usado ao realizar a magia e é preciso coletar mais, em compensação o jogador mantém ele ao mudar de dungeon. E mais uma vez, quando mais de um personagem mira a magia no mesmo lugar pode combinar a magia para fazer uma mais poderosa. Por exemplo: dois usando Fire juntos, realizam um Fira enquanto Fire e Blizzard juntos fazem um Gravity. O mesmo vale para magias de cura.
Fora isto, o sistema de luta do jogo é bem tradicional, qualquer um que já tenha jogado um RPG de ação não vai ter problemas em se acostumar com os combates.
Um elemento importante do jogo são os quebra-cabeças. No começo são fáceis, como subir em cima de um botão para cair uma pedra e quebrar a parede, mas depois vão ficando gradativamente mais complicados exigindo o uso das habilidades especificas de cada raça. Existe um que exige uma precisão absurda em Sinner's Island, e as dungeons seguintes passam a ser extremamente complexas com desafios que afetam pontos diferentes do andar e não apenas lugares próximos. A última área é especialmente difícil, com inúmeros andares que precisam serem explorados pensando em um todo. Chega a ser irritante, mas uma vez que sabe o que fazer é um pouco menos chato.

Gráfico

Embora o jogo só tenha uma cidade, as áreas tem variedade (embora bem comuns) e uma quantidade de detalhes boas. Há vários inimigos diferentes e os chefes são bonitos. Mas o que impressiona são os equipamentos: qualquer coisa que coloque no personagem irá modificar a aparência dele e equipamentos como armadura e elmos irão mudar de acordo com a raça e o sexo. Isto inclui certos equipamentos especiais e os de brincadeira, como fantasia de sapo.



Som

A trilha segue o estilo dos outros, com instrumentos antigos e muita inspiração celta. Há uma grande variedade de músicas e sons, executadas de maneira que encaixa no jogo e aproveitando bem os recursos do DS. Há inúmeros seguimentos com voz feitos de maneira bem competente. Não há muito o que reclamar ou elogiar nesta parte.

Conclusão

Em termos de história, Final Fantasy Crystal Chronicles Ring of Fates é excelente. Não é nada único, mas é bem-feito e envolvente. O sistema de batalha é uma boa evolução do jogo original, embora as magicites sejam irritantes e vários quebra-cabeças no final do jogo sejam chatos. É um jogo curto, com um multiplayer competente e vários itens colecionáveis, bom para se jogar com companhia.


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